Liliana Ribeiro, além de desempenhar funções de técnica de multimédia na Câmara Municipal de Espinho editou, recentemente, o livro "O Meu Arco-Íris". Não foi a paralisia cerebral que a impediu de lutar pela realização dos seus sonhos.
Associação Salvador (AS): Descreva-nos qual o seu tipo de deficiência motora...
Liliana Ribeiro (LR): Tenho paralisia cerebral que é considerada uma lesão cerebral provocada, muitas vezes, pela falta de oxigenação das células cerebrais. Pode acontecer no período da gestação, no momento do parto ou após o nascimento. Uma pessoa com uma paralisia cerebral possui inteligência normal. No entanto, poderá ter dificuldades a andar, a movimentar os membros superiores, dificuldades em caminhar e, se os músculos da fala forem atingidos, haverá dificuldade para comunicar seus pensamentos ou necessidades.
AS: Pode descrever-nos como é o seu dia a dia de trabalho na Câmara Municipal de Espinho?
LR: Desempenho funções de técnica de multimédia na Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Espinho desde 2005. Acordo perto das oito horas, arranjo-me, preparo o meu pequeno-almoço e vou para o trabalho na minha bicicleta. Há hora de almoço venho almoçar a casa e volto para o trabalho até às 17h. As minhas funções relacionam-se com a área de multimédia. Posso fazer aplicações em programação, ou qualquer trabalho de webmaster ou Web design, ou composição gráfica do que for necessário. Depois do trabalho nunca é certo o que vou fazer. Ou vou à fisioterapia, ou trato de algumas coisas que tenha para tratar, ou venho para casa. Normalmente, à segunda-feira ao fim da tarde vou ao treino de ténis de mesa adaptado. Ao fim-de-semana, guardo o sábado de manhã para ir à hidroterapia. Ao Sábado de tarde e ao Domingo vivo em família.
AS: Como surgiu esta oportunidade de trabalho?
LR: Depois de ter terminado o ensino secundário, tirei o Curso de Tecnologias de Informação e Comunicação Multimédia no Centro de Reabilitação Profissional de Gaia, em Arcozelo. Mas, com o decorrer do curso, não estava satisfeita com o grau de exigência do curso. Um dia, ao final da tarde a minha mãe chega do trabalho com um recorte de um jornal. O recorte anunciava abertura de um novo curso de Especialização Tecnológico de Desenvolvimento de Produtos Multimédia - Nível IV, nocturno, em Ovar. Não hesitei! Pensei em desistir de Arcozelo mas fui conseguindo conciliar os dois cursos. Saía ás 17h e ia com um colega, de carro. Andava também em Arcozelo e também quis tirar um curso melhor. Foi uma prova para mim mesma! Era a primeira vez que não tinha ensino especial. Mas correu tudo muito bem. Os dois cursos terminaram na mesma altura e conciliei os dois estágios na Câmara Municipal de Espinho. Os estágios terminaram e consegui um novo estágio profissional, de nove meses, através do Instituto de Emprego e de Formação Profissional. Ao esgotar o tempo de estágio, assinei contrato e até hoje trabalho na Câmara Municipal de Espinho.
AS: O que acha do sistema de quotas na função pública para pessoas com deficiência?
LR: Acho muito positivo. Nos dias que correm é muito difícil ter um emprego. Então com uma limitação, muito pior. Assim é uma mais valia, a função pública nos acolher.
AS: Recorreu a apoios do Instituto de Emprego e Formação Profissional?
LR: Sim. Recorri ao processo para a aquisição de um computador.
AS: Recentemente lançou o livro "O meu arco-íris". Como surgiu esta ideia?
LR: O meu Arco-íris foi um projecto que nasceu como intuito terapêutico, pela minha psicóloga. Dra. Ivone Soares. Projectar na escrita um conjunto de emoções tanto positivas ou negativas como felizes ou menos alegres. Fui colhendo diversos textos com várias passagens vividas por mim. Depois a Dra. Ivone começou a sentir que os textos tinham uma certa qualidade para editar um livro. A partir daí começamos a unir tudo e a embelezar os textos e "nasceu" "O meu Arco-íris".
AS: "O meu arco-íris" é um livro sobre o quê?
LR: "O Meu Arco-Íris" relata as minhas experiências de vida. Fui, desde sempre, incentivada pela minha família a nunca desistir de sonhar e lutar até alcançar a realização dos seus sonhos. Este livro mostra mais um desafio superado.
AS: Que apoios teve para o lançamento do livro?
LR: Foi a Associação Sorriso da Rita que editou o meu livro, em "parceria" com a Câmara Municipal de Espinho e a Junta de Freguesia de Espinho. Estas entidades entraram em contacto com a Associação Sorriso da Rita para apresentar o meu projecto. Associação Sorriso da Rita deu o sim para a edição.
AS: Onde se pode encontrar o seu livro à venda?
LR: O meu livro está disponível nas papelarias de Espinho e na FNAC do Norteshopping. Também se podem fazer encomendas através do meu blog http://arcoirisomeu.blogspot.com/ ou e-mail arcoirisomeu@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
AS: Que mensagem deixaria a outras pessoas com deficiência que neste momento estão à procura de emprego?
LR: Para não desistir de lutar e de sonhar. São essas as palavras-chave para a vida.